Tenho visto muitas reportagens sobre a saúde no Brasil e como as pessoas
necessitadas a procuram sem muito êxito. Isso me deixa intrigada e muito tem
incomodado nas minhas noites insones. Por que não contar as minhas dificuldades
e os obstáculos que tenho encontrado visto que as minhas experiências, os meus
fracassos, a minha busca pelo elixir da saúde poderão ajudar algumas pessoas
que como eu por um revés da sorte não dispõe de um plano de saúde.
A minha odisseia começou há vários anos atrás e vou tentar narrar fatos vividos no ontem intercalados com os fatos vividos agora. Só que os portadores desse mal que assola a humanidade precisam de cuidados médicos, tratamentos ,hospitais mas é primordial o apoio de uma família. Sem o amor , o carinho e a compreensão e principalmente a companhia de uma pessoa amada, a doença fica mais complicada.
Quando descobri um nódulo no pescoço, há 10 anos atrás eu tinha um suporte familiar muito forte: a minha mãe.Com ela e por ela caminhando de mãos dadas comigo enfrentei as dificuldades como se fossem pedrinhas no meu caminho. Contava com o apoio de Alberto Vieira, do meu irmão, de Cosete e vários amigos sempre com o meu filho ao lado. Hoje, quase todos eles se foram... Restou o meu filho e Cosete inválida em uma cadeira de roda.
Hoje estou praticamente só...e nas minhas noites de angústia e inquietudes eu não tenho mais quem segure a minha mão ou sente ao meu lado como uma presença amiga confortante e restauradora .Quem tem um familiar com uma doença como essa precisa abdicar do seu tempo e acompanhar o seu parente as consultas médicas, aos exames clínicos invasivos e alguns procedimentos cirúrgicos. Muitas vezes, recebemos as informações e demoramos em captar o enunciado. Esta minha caminhada está sendo solitária e muito difícil.
Encontrar alguns amigos foi decisivo: a depressão me abateu e eu decidi ficar esperando a morte chegar. Foi preciso uma amiga telefonar para mim e me dá uma sacudida: Lúcia dos Anjos foi de uma generosidade e de um carinho infinitos e com Mariel que buscou nos contatos um médico para me ajudar E Nailce que foi me buscar em Maceió, me levou para sua casa e me tratou com uma bondade infinita. O que seria de mim se não fossem os amigos? O meu filho e sua família abriu as portas da sua casa para mim, mas ninguém pode viver as nossas vidas.
Todavia nossas dores, angústias, tristezas e dificuldades podem ser compartilhadas e servirem de norteadores a algumas pessoas que também estão vivenciando o mesmo problema.
Não estou com pena de mim... não estou querendo angariar simpatia...Quero apenas narrar os meus erros e acertos e a maneira como somos tratados por alguns profissionais de saúde. “Certa secretária disse-me:” os médicos são pessoas frias e insensíveis “ e isso ficou me martelando a cabeça. Não é isso que eu quero para mim... Eu sou gente, com sentimentos a flor da pele e minhas carências. Quero um médico que me ouça, que disponha de um pouquinho do seu tempo e ouça os meus queixumes e diga que nós vamos caminhar juntos em busca da cura.
Estou pedindo muito?

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